Visita a escolas e à Bett UK rende aprendizados para educadores brasileiros

29 de janeiro de 2026

Por: SOMOS Educação

Compartilhe:

Janeiro até pode ser um mês de férias escolares, mas para um grupo de gestores escolares parceiro da SOMOS Educação, a semana de 19 a 23 foi de muito trabalho e aprendizado. Eles estiveram junto a cerca de 300 educadores, gestores e empresários brasileiros do setor educacional cumprindo uma intensa agenda de atividades da delegação da Bett Brasil em Londres.

Além de participar da Bett UK, a maior feira mundial de tecnologias para a educação, eles marcaram presença em uma série de eventos paralelos, que incluíram visitas a escolas de Educação Básica, instituições de ensino superior e empresas de tecnologia educacional. Saiba mais!

Delegação da Bett Brasil em Londres

O objetivo maior da experiência foi o de refletir, ao lado de profissionais de diferentes países, sobre os caminhos da educação. Ao final da semana, houve uma lição que se destacou: a intencionalidade pedagógica deve prevalecer sobre a preocupação com qualquer ferramenta tecnológica — inclusive as aplicações de inteligência artificial, que tanto foram discutidas e apresentadas nos estandes da feira.

Laurindo Campi, gerente comercial da SOMOS Educação que acompanhou o grupo, destaca que as visitas além da feira se revelaram especialmente enriquecedoras. “Os nossos parceiros gostaram muito de conhecer colégios britânicos, como também das experiências nas visitas ao Google, AWS e Samsung. Acredito que criaram conexões mais fortes com a SOMOS, e também fizeram bom networking com outras escolas da delegação”, afirmou.

Nas visitas a escolas públicas locais, os brasileiros repararam no foco dado ao desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita, até porque as instituições recebem grande número de crianças de famílias estrangeiras, que não têm o inglês como língua materna. Além disso, matemática, artes e teatro ganham bastante espaço no currículo. Na realidade britânica, são os professores e coordenadores que produzem o material a ser usado em sala de aula e muitos trabalham 100% do tempo com metodologias ativas. Com esse tipo de abordagem, as crianças ficam concentradas dos estudos – mesmo com os visitantes brasileiros entrando nas classes, elas continuaram compenetradas em seus trabalhos.

Claro que tudo de positivo que foi visto não pode ser simplesmente copiado para o Brasil. Para Andson Nunes, gestor do colégio Inovar, em Toritama, Pernambuco, conhecer outros contextos, tanto na feira Bett UK quanto nas visitas a instituições de ensino, pode ajudar a aperfeiçoar a educação que oferece ao ampliar seu repertório. “Tivemos a oportunidade de conhecer as soluções que os diversos países, por meio de suas empresas, pensaram para os desafios da educação. E os desafios da educação são os mesmos. Nas visitas a escolas, pudemos olhar para a realidade britânica, ver as soluções que aplicam, para então refletir sobre elas diante da nossa cultura”, disse ele.

Da semana de experiências em Londres, alguns saíram com novas soluções para suas escolas já engatilhadas. A reitora Luciana Clemente, do Colégio Dom Inácio, de Guaxupé, Minas Gerais, disse que vai ampliar o portfólio com a SOMOS Educação e também vai começar novos acordos com outras empresas que ela conheceu no evento.

Inteligência artificial, modo de usar

Entre as soluções oferecidas pelos expositores da feira, a IA foi sem dúvidas o de maior presença. E, entre as conversas nas demais atividades, os cuidados para usá-la também ganharam bastante espaço. Numa discussão na University College London (UCL) entre professores da instituição e a delegação brasileira, houve de certa forma um consenso de que para a IA ser usada por estudantes, eles precisam antes ter habilidades de auditoria e validação. “Se um estudante não tem treinamento para revisar o processo pelo qual a IA gerou um resultado, ele não deve usar a ferramenta como um atalho para os princípios fundamentais”, afirmou Anil Doshi, professor da UCL.

Outra preocupação é com a mediação cultural das respostas da IA; algo que deve ser feito pela sociedade de forma geral, assim como pelos docentes, defende Graça Carvalho, diretora do centro para inovação da UCL. “É preciso evitar uma pasteurização cultural causada pela IA. Se a IA ensina uma criança que o café da manhã padrão é aveia ou panquecas com bacon (padrões anglo-saxões), ela pode estar “destruindo” outras identidades culturais onde esses hábitos não existem”, disse. Ela defende que a comunidade deve mediar o processo de aprendizagem para garantir que valores e crenças locais estejam presentes.

Em resumo, na educação é preciso estar atento ao que a Secretária de Educação britânica, Bridget Phillipson, chamou de “risco das respostas fáceis”. “A IA não deve servir para tornar as coisas excessivamente fáceis ou para alimentar os alunos com colheres de respostas prontas”, afirmou ela em uma palestra na Bett UK. Ela defende que o aprendizado exige que o aluno enfrente desafios, erre e pense por conta própria antes de chegar à solução. “Se a tecnologia for usada como um atalho, apenas para reduzir o esforço cognitivo, ela falha em seu propósito educacional de ajudar a criança a estar à altura do desafio de aprender”, afirmou.

Gostou deste artigo? Siga as nossas redes sociais para acompanhar mais conteúdos interessantes para educadores e gestores escolares! Nós estamos no FacebookInstagramLinkedIn e YouTube.

Compartilhar: